
Em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, o governo do Acre, por meio do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) promoveu, na manhã desta segunda-feira, em Cruzeiro do Sul, uma programação com ênfase no cuidado oferecido em liberdade a pessoas com sofrimento psíquico, bem como na humanização do atendimento em saúde mental e no combate ao preconceito.

Ao reafirmar a assistência baseada no respeito, na dignidade e na liberdade dessa população, substituindo antigos modelos de isolamento por práticas de cuidado mais humanas, inclusivas e acolhedoras, o movimento defende a extinção dos hospitais psiquiátricos e a reafirmação do direito dos pacientes a um tratamento público digno e integral, por meio de serviços que promovam autonomia, identidade, convivência social e liberdade de expressão.

Segundo a gerente do Caps de Cruzeiro do Sul, Clissiana Barreto, o trabalho desenvolvido pela equipe busca oferecer acompanhamento contínuo, fortalecer os vínculos familiares e sociais dos usuários e promover o cuidado em liberdade.
“Neste ano, comemoramos os 25 anos da Lei 10.216, conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica, que assegura às pessoas com transtornos mentais o direito ao cuidado humanizado e em liberdade. Antigamente, o tratamento era realizado, em sua maioria, em manicômios e hospitais psiquiátricos, locais marcados pelo isolamento e pela exclusão social”, relatou.

A gestora reforçou a importância do cuidado humanizado, por meio de um modelo que garante à pessoa com transtorno mental o direito de realizar seu tratamento próximo à família e à comunidade. Quando necessário, a internação é realizada em hospitais-gerais e, após a estabilização do quadro, a pessoa retorna ao convívio social, tendo preservada sua autonomia, dignidade e qualidade de vida.
Ao longo da programação, o Caps promove ações de conscientização nas redes sociais e rodas de conversa com os usuários, além de atividades terapêuticas voltadas ao acolhimento e fortalecimento dos vínculos sociais. “As ações buscam incentivar o protagonismo dos usuários em suas próprias histórias, reforçando que são sujeitos de direitos e merecem respeito, inclusão e cuidado humanizado”, disse Clissiana.

A farmacêutica da unidade, Sandreia Sales, destacou que o Caps oferece um atendimento amplo e humanizado, voltado para uma clientela que envolve desde crianças até idosos, com foco no acolhimento, na recuperação individual e no fortalecimento dos vínculos familiares.
“Nossas atividades terapêuticas buscam promover a recuperação de cada usuário de forma individualizada, começando pelo acolhimento e pela compreensão da realidade vivenciada por cada pessoa. Nos casos de transtornos mentais graves e persistentes, também estendemos esse cuidado aos familiares, porque entendemos que o apoio da família é fundamental no processo terapêutico. Nosso objetivo é fortalecer um tratamento em ambiente aberto, evitando internações sempre que possível”, explicou.

A farmacêutica ressaltou ainda que a unidade dispõe de diversas atividades terapêuticas e integrativas, como auriculoterapia, yoga, grupos terapêuticos, atividades corporais e atendimentos específicos para crianças e adolescentes.
“As atividades são voltadas aos usuários em tratamento ambulatorial, que encontram no Caps um espaço de acolhimento e apoio contínuo. Também oferecemos orientação às famílias sobre como lidar com momentos de crise e com o cotidiano do tratamento, promovendo mais compreensão sobre o adoecimento mental. Dessa forma, fortalecemos os familiares para que possam cuidar de seus entes queridos com mais segurança, informação e acolhimento”, observou.

Parceira do Caps de Cruzeiro do Sul, a Associação Vozes do Juruá também participou da programação do Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Segundo o presidente da entidade, Bruce Gomes, a iniciativa surgiu com o propósito de ampliar a atuação na comunidade, aproximando-se das pessoas e compreendendo a realidade vivenciada pelos usuários e seus familiares.
“Reafirmamos nosso compromisso não apenas contra os manicômios, mas também contra o preconceito e os estigmas que ainda existem na sociedade”, destacou.

Gomes explicou ainda que a associação atua em parceria com o Caps há quase um ano, funcionando como uma rede de apoio aos usuários atendidos pela unidade.
“A associação atua como um braço de apoio ao Caps, auxiliando usuários que necessitam dos serviços ofertados pela unidade. Nosso objetivo é romper paradigmas e combater os olhares preconceituosos voltados às pessoas com transtornos mentais, promovendo diálogo, conscientização e inclusão social”, ressaltou.
Um dos pacientes atendidos pela unidade, Antônio Francisco Farias relatou que encontrou no Caps apoio e acolhimento para enfrentar momentos difíceis relacionados à saúde mental. Há cerca de cinco anos em acompanhamento na unidade, Farias informou que conheceu o serviço por indicação de uma colega e, desde então, passou a participar regularmente das atividades oferecidas.

“Desde que comecei a frequentar a unidade, minha vida mudou muito. Aqui participamos de atividades, oficinas, momentos de interação e convivência, que fazem a diferença no nosso dia a dia. O brechó, as brincadeiras, as festas e todas as ações desenvolvidas ajudam na nossa autoestima, na socialização e no bem-estar. Hoje me sinto acolhido, bem-recebido e muito feliz com o atendimento. Aqui todos se ajudam, criamos amizades e nos sentimos como uma família”, contou.

A programação também abriu espaço para que usuários compartilhassem suas experiências e a importância do Caps em suas trajetórias de vida, fortalecendo-se mutuamente.

Para a beneficiária Andressa Silva, o acompanhamento recebido no Caps fortaleceu sua autoestima, convivência social e qualidade de vida. “O meu tratamento é muito bom. Todos os dias venho tomar meus remédios, tomo banho, descanso, convivo com meus amigos e interajo com as pessoas da unidade. Muitas pessoas ainda têm uma visão errada e acham que o Caps é um manicômio, mas não é. Aqui temos liberdade, acolhimento e somos muito bem recebidos”, relatou.

Andressa destacou ainda o carinho e a atenção recebidos pela equipe da unidade, ressaltando a importância do acolhimento no processo de recuperação.

E relatou: “Sou tratada com muito amor e carinho por todos, desde as meninas da alimentação até a equipe da direção. As atividades realizadas aqui também ajudam muito. Hoje me sinto melhor, com mais disposição e ânimo. Antes eu tinha vergonha de me olhar no espelho, não me cuidava e nem me alimentava direito. Agora me arrumo, me sinto bem comigo mesma e vejo o quanto minha vida mudou”.
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