
O cenário político em Buritis (RO), em abril de 2026, apresenta um quadro de complexidade administrativa e crescente pressão popular. O prefeito Valtair Fritz (PL), eleito com 45,72% dos votos (7.261 sufrágios), enfrenta o desafio de equilibrar as expectativas geradas em campanha com a realidade do município.
O início da gestão foi marcado por uma transição pública e simbólica, onde o ex-prefeito Roni Irmãozinho apresentou a frota municipal ao sucessor. No entanto, o otimismo inicial deu lugar a um severo ajuste de contas.
A pasta de Infraestrutura, por exemplo, viu seus recursos serem reduzidos de aproximadamente R$ 36 milhões em 2024 para R$ 5,4 milhões em 2025. A justificativa da gestão Fritz e de vereadores da base, como Ivan da Farmácia (PL) e Aparício (PL), era a necessidade constitucional de quitar dívidas judiciais para evitar sanções maiores.
A Câmara Municipal chegou a instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a origem e evolução dessa dívida. Paralelamente, o Legislativo aprovou por unanimidade as contas de 2023 do ex-prefeito Roni Irmãozinho, embora com ressalvas de parlamentares sobre índices de aproveitamento escolar na gestão anterior.
Apesar das justificativas financeiras, a percepção de parte da população, ecoada em redes sociais e por parlamentares, é de que a cidade enfrenta um momento de estagnação. Entre os principais pontos de insatisfação estão:
Moradores relatam dificuldades de trafegabilidade em áreas urbanas e rurais. Há queixas de que a falta de manutenção das estradas prejudica o acesso de alunos às escolas em dias de chuva.
O programa "Cidade Limpa" é alvo de cobranças. População aponta que a cidade apresenta aspecto de abandono.
A promessa de campanha de instalar dentistas em cada unidade escolar ainda não avançou para a fase de execução concreta.
O clima político se acirrou nesta última semana de abril. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um ex-apoiador queimando a camiseta da campanha de Valtair Fritz, em um gesto simbólico de decepção. Na tribuna da Câmara, vereadores têm elevado o tom, cobrando respostas oficiais a requerimentos e indicações que, segundo eles, permanecem sem retorno do Executivo.
Outro ponto de debate é a priorização de gastos. Enquanto a prefeitura mantém presença em eventos e festas, parte da população e parlamentares questionam o uso de maquinário em eventos como a EXPOBUR em detrimento de obras emergenciais em ruas onde moradores precisam aterrar buracos por conta própria.
Com a chegada de 2026, ano que havia sido sinalizado por parlamentares da base como o período em que a gestão "começaria a andar", a cobrança por resultados estruturais torna-se mais incisiva. O governo municipal se vê diante do desafio de converter o discurso de "herança maldita" e austeridade fiscal em entregas visíveis, sob o risco de ver o desgaste político se consolidar antes do encerramento do mandato.
A gestão ainda enfrenta questionamentos sobre sua autonomia administrativa, com setores da sociedade observando atentamente a influência de lideranças estaduais, como o deputado Lucas Torres (PL), apontado pela população como "salvando mandato" do atual prefeito.
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Nota Editorial: Esta matéria baseia-se em dados orçamentários públicos, registros de sessões da Câmara Municipal e manifestações públicas de agentes políticos e cidadãos de Buritis (RO). O espaço permanece aberto para manifestação oficial da Prefeitura Municipal sobre os pontos citados.