
Eles dividiram a decisão de estudar juntos, dividiram a rotina como professores da iniciativa privada, dividiram as angústias da espera e, agora, dividem a realização de um mesmo sonho: a aprovação no maior concurso da Educação do Acre. A história de Suendew Moreira, 28 anos, licenciado em Geografia, e Raylane Aguiar, 28 anos, licenciada em Matemática, é marcada por parceria, persistência e superação.

Antes da aprovação, a vida dos dois já era atravessada pela educação. Professores atuantes na rede privada, eles carregavam a mesma inquietação de quem sai da universidade com vontade de fazer a diferença, mas ainda busca estabilidade para permanecer e crescer na profissão.
“A gente sai da faculdade com essa responsabilidade social muito forte. O desejo de contribuir com a sociedade sempre esteve ali”, relata Suendew, que se descobriu professor antes mesmo de se descobrir geógrafo e se apaixonou pela área ao longo do caminho.

O concurso não surgiu de forma repentina. Desde os primeiros rumores, o casal começou a se planejar; o que era uma meta individual se transformou em objetivo comum. “Virou meta dos dois”, resume Raylane. Entre aulas, correções de provas, demandas da escola, da casa e da filha de 9 anos, o estudo acontecia como dava: à noite, nos fins de semana, em pequenas metas possíveis. Sem cronogramas rígidos, mas com constância e apoio mútuo.
A parceria foi decisiva. Ela, das exatas, ajudava na Matemática; ele, das humanas, auxiliava em História e Geografia. As revisões aconteciam em momentos de descanso, nos horários de alimentação; inclusive, em conversas rápidas no dia a dia. “A gente não estudava igual, mas sempre trocava. Um apoiava o outro”, contam.

O processo, no entanto, foi emocionalmente intenso. Raylane, mais ansiosa, não conseguiu dormir à véspera da prova. Suendew enfrentou uma verdadeira montanha-russa de emoções: foi reprovado na primeira etapa enquanto a esposa avançava, precisou manter o equilíbrio emocional para conquistar a aprovação na etapa seguinte. “Teve momentos em que precisei muito não me desesperar. Aprendi que, muitas vezes, é questão de paciência”, reflete.
O resultado final veio em resposta aos desafios de anos de insistência. A comemoração foi dupla e coletiva. Para além da conquista pessoal, havia o orgulho de informar a boa notícia à família, a gratidão ao apoio recebido, a satisfação de ver a filha se encantar com o ritual da posse e sonhar, à sua maneira, com o futuro. “O maior legado que a gente pode deixar é mostrar que a educação abre portas. As melhores portas”, enfatizou Suendew.

Quando convidados a resumir a jornada em uma palavra, Suendew não hesita: superação. Superar o medo, as frustrações, o cansaço e a vontade de desistir. Raylane escolhe coragem — a coragem de acreditar em si, de permanecer na docência, de enfrentar um caminho exigente e, muitas vezes, solitário. “A docência me escolheu”, afirma.
A estabilidade profissional conquistada em 2026 representa uma virada de página. Muda a rotina, traz segurança financeira e abre espaço para novos sonhos. Mas, acima de tudo, potencializa o sentido da escolha feita lá atrás: ser professor.

Suendew tomou posse no dia 5 de janeiro de 2026, e Raylane no dia 21 de janeiro de 2026. Ambos foram lotados na Escola Estadual Mário de Oliveira, onde iniciam juntos uma nova etapa da vida — agora como servidores efetivos da Educação do Acre.
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