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Da ferrovia aos bairros: cultura e identidade na origem de Porto Velho

Cidade celebra a instalação no dia 24 de janeiro e a importância de suas regiões pioneiras

Redação
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Porto Velho - RO
19/01/2026 às 11h01
Da ferrovia aos bairros: cultura e identidade na origem de Porto Velho
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Cidade celebra a instalação no dia 24 de janeiro e a importância de suas regiões pioneiras

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Porto Velho nasceu em meio ao ruído dos trilhos, aos banzeiros do rio Madeira e ao encontro de diferentes nações atraídas pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Mais do que um ponto estratégico nesse canto da Amazônia, a cidade se formou como um espaço de convivência cultural, marcado pela diversidade e pela ocupação de bairros que ajudaram a definir sua identidade urbana. Entre eles, Triângulo, Arigolândia e Caiari ocupam papel central na história da capital rondoniense.

De acordo com a historiadora Rita Vieira, muitos trabalhadores da ferrovia e famílias barbadianas moraram por muitos anos no Triângulo
De acordo com a historiadora Rita Vieira, muitos trabalhadores da ferrovia e famílias barbadianas moraram por muitos anos no Triângulo
Ao redor da área planejada do complexo ferroviário, a cidade cresceu de forma espontânea. O bairro Triângulo, é considerado um dos mais antigos, localizado em uma região estratégica entre o rio Madeira e os primeiros eixos comerciais, tornou-se ponto de intensa circulação de pessoas e mercadorias. De acordo com a historiadora Rita Vieira, muitos trabalhadores da ferrovia e famílias barbadianas moraram por muitos anos no Triângulo, consolidando-se como um bairro popular, marcado pela convivência entre diferentes origens.

“É importante lembrar também de alguns morros que eram bairros naqueles períodos e que não existem mais, como por exemplo, o Querosene e o Alto do Bode. O morro Querosene era moradia de nordestinos migrantes que vieram para cá desde do ciclo da borracha e o morro Alto do Bode era um bairro barbadiano, de uma população afro-caribenha que migrou como mão de obra especializada para a construção da ferrovia”, disse a historiadora.

DOS TRILHOS À CIDADE

Além do bairro Triângulo, outras regiões merecem destaques na formação da cidade
Além do bairro Triângulo, outras regiões merecem destaques na formação da cidade
Além do bairro Triângulo, outras regiões merecem destaques na formação da cidade. O Arigolândia por exemplo, representa um capítulo importante da memória social de Porto Velho. A região surgiu a partir da ocupação de trabalhadores conhecidos como “arigós”, migrantes nordestinos que chegaram à região em busca de oportunidades ligadas à ferrovia e aos seringais. O Arigolândia tornou-se símbolo da luta, da resistência e da contribuição nordestina para a formação da cidade. O bairro também se destacou como espaço de manifestações culturais e de organização social.

“O bairro Arigolândia, que hoje é considerado elitizado, foi moradia da população nordestina que veio trabalhar aqui na região. Alguns historiadores, alegam que o bairro servia como uma região de quarentena, para que esses nordestinos ficassem por 40 dias assim que chegassem, para que só depois fossem inseridos no trabalho na Madeira-Mamoré”, concluiu Rita Vieira.

A região é marcada pela forte identidade cultural e histórica com a presença de pontos emblemáticos da cidade, como por exemplo, a castanheira do estádio Aluízio Ferreira, a Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, as Escolas Carmela Dutra e Duque de Caxias, o prédio da Assembleia Legislativa, o Clube de Regatas Flamengo e diversos outros pontos turísticos e históricos da capital.

PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO

Bairro Caiari representa o núcleo inicial do planejamento urbano de Porto Velho
Bairro Caiari representa o núcleo inicial do planejamento urbano de Porto Velho
De acordo com os historiadores, o bairro Caiari representa o núcleo inicial do planejamento urbano de Porto Velho. O bairro foi projetado para abrigar engenheiros e funcionários de alto escalão da ferrovia, refletindo a organização e a hierarquia social da época. O Bairro Caiari é considerado um dos primeiros conjuntos habitacionais do Brasil e foi inaugurado em 1940 pelo presidente Getúlio Vargas.

Localizado em uma área estratégica, o bairro abriga parte essencial do patrimônio histórico de Porto Velho: a Praça das Três Caixas D’Água, a primeira Igreja Batista, a Casa de Cultura Ivan Marrocos, o ginásio Cláudio Coutinho, a Biblioteca Dr. José Pontes Pinto, prédios históricos e diversos outros órgãos e instituições.

CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE

Segundo o Léo Moraes, essa mistura de povos reflete nos costumes, na memória coletiva e principalmente na identidade da cidade
Segundo o Léo Moraes, essa mistura de povos reflete nos costumes, na memória coletiva e principalmente na identidade da cidade
Com o passar dos anos, Porto Velho expandiu-se para além de seus núcleos iniciais por meio de novas ocupações, muitas delas surgidas de forma espontânea, impulsionadas pelo aumento populacional e pela busca por moradia. Segundo a historiadora, a partir dessas áreas ocupadas, a cidade se reorganizou, ampliando seu território e incorporando novos bairros à dinâmica urbana, social e econômica de Porto Velho.

A história desses bairros revela que Porto Velho não foi construída apenas por grandes projetos de engenharia, mas principalmente pelas pessoas que ocuparam o território e criaram laços de pertencimento. Segundo o prefeito da capital, Léo Moraes, essa mistura de povos reflete nos costumes, na memória coletiva e principalmente na identidade da cidade.

“Caiari, Triângulo e o Arigolândia fazem parte da memória da nossa cidade. Esses bairros guardam as histórias do cotidiano, do trabalho, da cultura e principalmente dos nossos pioneiros que moldaram a nossa princesinha do Madeira”, finaliza Léo Moraes.

Texto:André Oliveira
Fotos:José Carlos/ Secom

Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)

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