
Pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) divulgaram um estudo que aponta a relação entre infecções prévias pelo zika vírus e o agravamento de casos de dengue. Publicada na PLOS Neglected Tropical Diseases, a pesquisa analisou amostras de 1.043 pacientes com dengue em 2019, revelando que histórico de zika aumenta em 2,34 vezes o risco de formas mais graves da doença e 3,39 vezes a necessidade de internação hospitalar.
Diferentemente dos sorotipos da dengue, o estudo destaca que o fator agravante relacionado ao zika não se manifesta pelo aumento de carga viral. No segundo episódio de dengue, a resposta imunológica anterior acelera a entrada do novo vírus nas células, enquanto no caso do zika, defesas ineficazes acumulam-se no corpo, resultando em processos inflamatórios.
A pesquisa traz à tona a complexidade das interações entre esses vírus transmitidos pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti. Além dos sintomas semelhantes, a dengue pode causar hemorragias fatais, enquanto o zika, embora provoque sintomas mais leves, representa sérios riscos para gestantes e bebês, como a microcefalia.
Este estudo pioneiro destaca a necessidade de considerar o histórico de zika ao avaliar casos de dengue, reforçando a importância da vigilância epidemiológica e estratégias de prevenção mais abrangentes contra essas arboviroses.