
Na tentativa de impor limites rápidos no dia a dia, é comum ouvir frases como
"se não me obedecer, vou chamar a polícia" ou "olha lá o policial, ele vai te prender".
Embora ditas muitas vezes sem maldade, essas ameaças criam um perigo invisível para a segurança da própria criança.
O problema principal acontece em situações de emergência — como quando o menor se perde dos pais em um local público, em um mercado ou na rua. Se a criança foi ensinada a ver o policial como uma figura ameaçadora, o reflexo natural diante do pânico não será pedir ajuda, mas sim fugir ou se esconder. Em vez de procurar o agente fardado mais próximo para se proteger, ela pode se afastar ainda mais, atrasando o resgate e aumentando a exposição ao risco.
Do ponto de vista psicológico e de proteção, o uso desse tipo de pavor gera ansiedade e rompe uma barreira essencial de confiança. A infância precisa ser guiada pelo diálogo e pela segurança, e não pelo medo de autoridades.
Educar com limites claros e afeto dispensa o uso de ameaças. Afastar a criança da polícia por meio do medo é, sem perceber, tirar dela uma das suas maiores redes de proteção em momentos de vulnerabilidade.