
A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e o Ministério da Saúde, realiza entre os dias 10 e 12, na Uninorte, a oficina “Eventos de Calor Extremo na Saúde: Importância do Monitoramento, Alerta e Resposta para a Saúde Pública”.
A iniciativa reúne gestores, técnicos e especialistas para discutir estratégias de prevenção, monitoramento e resposta aos impactos das mudanças climáticas na saúde da população.
Segundo a secretária adjunta de Atenção à Saúde da Sesacre, Ana Cristina Moraes, o evento tem como objetivo conscientizar a população e preparar os profissionais para enfrentar os efeitos do calor extremo.

“É importante que possamos dialogar com os profissionais e alertar a sociedade sobre os eventos adversos provocados pelo calor extremo durante o período de seca. Estamos promovendo ações de conscientização, prevenção e capacitação para que possamos enfrentar esses desafios de forma mais eficaz”, destacou.
O evento tem como foco o fortalecimento das capacidades do Sistema Único de Saúde (SUS) diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos de calor extremo. Esse fenômeno pode agravar doenças cardiovasculares e respiratórias, além de aumentar os riscos de insolação, exaustão térmica e outros problemas de saúde, especialmente entre grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com comorbidades.
Para a diretora de Atenção Primária e Vigilância em Saúde, Suane Oliveira, a preparação antecipada é fundamental para minimizar os impactos das mudanças climáticas.

“Este é um evento de grande importância para nos prepararmos para os eventos climáticos que estão por vir. Estamos sob influência do fenômeno El Niño, o que exige atenção redobrada e respostas rápidas da saúde pública. Durante o período de seca e estiagem, nosso estado enfrenta diversas queimadas, que provocam agravos à saúde, principalmente em crianças e idosos. Esta oficina traz informações essenciais para compreendermos e enfrentarmos as mudanças climáticas que já estão acontecendo”, afirmou.
Durante a programação, serão apresentadas ferramentas e estratégias para monitoramento e alerta precoce, com destaque para o uso do Fator de Excesso de Calor (EHF), indicador utilizado para identificar ondas de calor e seus possíveis impactos na saúde. A oficina também prevê a elaboração de planos de contingência e a construção de propostas voltadas ao fortalecimento da vigilância e da capacidade de resposta dos serviços de saúde.
Representando os municípios de difícil acesso, a secretária municipal de Saúde de Santa Rosa do Purus, Gessica Souza, ressaltou a relevância do evento para as localidades isoladas.
“Para os municípios isolados, este evento é de extrema importância, pois discutiremos questões relacionadas aos impactos da seca na saúde da população. Essas oficinas permitem que apresentemos nossas necessidades e realidades. Municípios como Santa Rosa do Purus e Jordão vivenciam de forma mais intensa os efeitos desses eventos climáticos. Quando a Opas e o governo do Acre promovem iniciativas como esta nos dão a oportunidade de nos preparar e fortalecer nossa capacidade de resposta diante desses desafios”, destacou.

A programação inclui palestras técnicas, debates, atividades práticas e a elaboração conjunta de um plano de contingência para eventos de calor extremo no Acre, contribuindo para a proteção da população e o fortalecimento das ações de saúde pública no estado.
A consultora nacional de Resposta a Emergências da Coordenação de Emergências, Arboviroses, Inteligência e Saúde da Opas, Vivian Simões, enfatizou a importância da construção coletiva do plano.

“Sabemos o quanto o estado sofre com as ondas de calor. Por isso, é uma satisfação participar dessa construção de planos de contingência que contribuirão para melhorar a saúde e a qualidade de vida da população”, afirmou.
Já a assessora para Assuntos de Imigração do Ministério da Saúde, Soraya Andrade, destacou o protagonismo das secretarias municipais na elaboração das estratégias.

“Este é um momento em que damos protagonismo às secretarias para que possam analisar suas realidades e pensar em formas de reduzir os impactos das mudanças climáticas. Nossa expectativa é que, ao final da oficina, tenhamos um documento consolidado com ações viáveis e efetivas para serem executadas no estado e nos municípios. O Acre possui características únicas, com municípios de difícil acesso, e iniciativas como esta ajudam a fortalecer ações preventivas capazes de reduzir os impactos desses eventos”, concluiu.
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