
A criação de um distrito industrial em Santo Antônio de Leverger ganhou força nesta segunda-feira (18), durante reunião realizada na sede da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Cuiabá (Aedic), em um movimento que contou com a presença do deputado estadual Wilson Santos (PSD), cujo propósito é o de ampliar o desenvolvimento econômico da Baixada Cuiabana. A proposta surge como alternativa estratégica para aproveitar o potencial gerado por dois grandes investimentos estruturantes na região, que são a Ferrovia Estadual Senador Vuolo e o Hospital Universitário Júlio Müller e, assim, transformar o município em um novo polo de atração de empresas, geração de empregos e distribuição de renda.
O início do debate teve origem em fevereiro deste ano, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), quando o parlamentar provocou uma discussão sobre as perdas territoriais enfrentadas por Santo Antônio de Leverger ao longo das últimas décadas. Na ocasião, foi apresentada a inviabilidade técnica de transferir para a cidade o terminal da Ferrovia Estadual Senador Vuolo, uma vez que os estudos e o planejamento já apontavam Cuiabá como local mais adequado para a instalação da estrutura. Em vez de insistir na mudança do projeto ferroviário, ele avaliou alternativas capazes de garantir que os benefícios econômicos contemplassem a região.
De acordo com o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo, a iniciativa para a instalação de um distrito industrial em Leverger foi de uma visão estratégica ao transformar uma reivindicação territorial em uma proposta de desenvolvimento regional. Ele explicou que o município poderá ser diretamente beneficiado por um corredor industrial e logístico. “Tecnicamente, a ferrovia atende todos os princípios delimitados dentro de Cuiabá. Isso foi levado ao deputado Wilson, que imediatamente compreendeu a importância de preservar o planejamento existente. Ao mesmo tempo, identificou-se uma oportunidade extraordinária para o desenvolvimento de Santo Antônio de Leverger, especialmente no entorno do hospital, onde podem surgir empreendimentos comerciais, logísticos e de serviços voltados à área da saúde”, explicou.
Política Industrial - Wilson Santos destacou que a proposta demonstra como a política pode construir soluções para além das disputas territoriais. “Essa foi uma provocação. A política é dinâmica e está aberta ao diálogo. A partir de uma discussão sobre as perdas territoriais de Santo Antônio de Leverger, surgiu a possibilidade de criar um distrito industrial, especialmente porque Cuiabá já não possui mais espaço para expandir o seu distrito industrial. A prefeitura de Santo Antônio de Leverger abraçou a ideia e já apresenta uma pré-proposta que pode mudar o futuro econômico da região”, falou.
A prefeita de Santo Antônio de Leverger, Francieli Magalhães, afirmou que o município está preparado para receber investimentos e construir uma nova etapa de desenvolvimento econômico. “Estamos plantando uma semente para o futuro. O desenvolvimento chega quando as pessoas acreditam no potencial de uma cidade e têm coragem de investir nela. Tenho certeza de que o distrito industrial vai valorizar toda a região metropolitana. A Baixada Cuiabana precisa de investimentos, de indústrias e de oportunidades”, declarou.
Wilson Santos elogiou a postura da gestora municipal e destacou a rapidez com que a prefeitura transformou a ideia em uma proposta concreta. Segundo ele, o próximo passo será buscar recursos para aprofundar os estudos técnicos e consolidar o projeto. “A prefeita demonstrou visão estratégica ao compreender imediatamente o alcance dessa iniciativa e mobilizar sua equipe para construir os primeiros estudos. Agora precisamos avançar para transformar essa oportunidade em realidade”, pontuou.
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Max Russi (Podemos), também manifestou apoio à proposta e classificou o momento como decisivo para o futuro do município. “Santo Antônio vai passar por uma virada de chave. Se não aproveitar essa oportunidade agora, talvez demore décadas para surgir outra semelhante. A Assembleia Legislativa estará ao lado desse projeto para garantir investimentos e criar as condições necessárias para a implantação do futuro distrito industrial”, disse.
Desenvolvimento Regional - A defesa da industrialização como instrumento de desenvolvimento social e econômico tem sido uma das principais bandeiras de Wilson Santos. Durante o encontro na Aedic, ele voltou a defender que Mato Grosso precisa avançar na agregação de valor às suas matérias-primas e reduzir a dependência de uma economia baseada exclusivamente na produção de commodities.
“Quem vai fazer essa justiça social é a industrialização do Estado. É o avanço forte do turismo. São esses setores que distribuem riqueza, pagam melhores salários e oferecem empregos de maior qualidade. Precisamos mudar de prateleira a economia de Mato Grosso. Não é apenas Cuiabá que pode crescer. Precisamos fortalecer municípios como Santo Antônio de Leverger, Barão de Melgaço, Nossa Senhora do Livramento, Rosário Oeste e Poconé. Onde a indústria foi a locomotiva do desenvolvimento, os estados avançaram mais rapidamente”, declarou o deputado.
O posicionamento do parlamentar foi reforçado pelo presidente da Aedic, Domingos Kennedy, que apresentou números que demonstram a importância da política industrial para a economia regional. Atualmente, o Distrito Industrial de Cuiabá reúne mais de 22 mil empregos diretos, cerca de 400 empresas instaladas e movimenta mais de R$ 4 bilhões em arrecadação tributária – sendo que foi implantado em agosto de 1978, pelo saudoso ex-governador José Garcia Neto. Para ele, a expansão desse modelo para Santo Antônio de Leverger representa uma oportunidade histórica para toda a Baixada Cuiabana.
Ele também chamou atenção para a necessidade de conectar a indústria à produção regional. Conforme ele, muitas empresas instaladas no distrito industrial utilizam matérias-primas vindas de outros estados, enquanto produtos da agricultura familiar da Baixada Cuiabana deixam de ser aproveitados. A observação reforça outra defesa histórica de Wilson Santos: a industrialização como ferramenta para agregar valor à produção local e gerar riqueza dentro dos próprios municípios.
Ao final do encontro, ficou evidenciado o consenso entre lideranças políticas, empresários e representantes do setor produtivo de que a industrialização é o caminho mais promissor para impulsionar o desenvolvimento da Baixada Cuiabana. “A indústria agrega valor, multiplica oportunidades e espalha riqueza. O desenvolvimento da Baixada Cuiabana não pode mais esperar”, concluiu Wilson Santos.