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Artesanato indígena do Acre transforma vidas, preserva saberes e gera renda

No Acre, o artesanato indígena não nasce apenas das mãos, nasce da memória, da floresta e da ancestralidade. Cada peça carrega histórias, ensinamen...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Acre
13/05/2026 às 15h32
Artesanato indígena do Acre transforma vidas, preserva saberes e gera renda
Foto: Reprodução/Secom Acre

No Acre, o artesanato indígena não nasce apenas das mãos, nasce da memória, da floresta e da ancestralidade. Cada peça carrega histórias, ensinamentos e uma relação profunda com a natureza. Hoje, esse saber milenar atravessa fronteiras e se transforma também em fonte de renda e autonomia para centenas de famílias.

Esse movimento ganha força por meio da parceria entre o governo do Acre e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que estruturaram o programa Artesanato Acreano como uma estratégia de desenvolvimento econômico aliada à valorização cultural. Mais do que fomentar a produção, a iniciativa reconhece o artesanato como expressão viva dos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais e aposta em três pilares essenciais: capacitação, desenvolvimento de produtos e acesso ao mercado.

Peças do artesanato indígena acreano atraem compradores do Brasil e do mundo. Foto: Alice Leão/Secom
Peças do artesanato indígena acreano atraem compradores do Brasil e do mundo. Foto: Alice Leão/Secom

Para quem vive do artesanato, ele não é apenas trabalho, é identidade. A artesã indígena Amélia Marubo traduz essa conexão com simplicidade e profundidade: “Eu comecei com 12 anos, aprendendo com minha mãe, minha avó e minha irmã. Esse conhecimento vem da família, da vivência”, disse.

Amélia Marubo extraindo matéria-prima da floresta para produção do artesanato. Foto: cedida
Amélia Marubo extraindo matéria-prima da floresta para produção do artesanato. Foto: cedida

Hoje, ela coordena um grupo de mulheres da sua família que viram na produção um caminho para mudar a realidade com o apoio das capacitações. “A gente começou a trabalhar com materiais da floresta, como casca de murumuru e tucumã. Depois, nosso material foi levado para fora”, destacou.

O reconhecimento chegou longe, inclusive com a marca Arezzo. “Em 2025, fomos para Porto Alegre ver o lançamento. Nosso material estava no sapato. Foi muito importante”, ressaltou.

Exposição da linha de sapatos Arezzo em parceria com a artesã indígena Amélia Marubo. Foto: cedida
Exposição da linha de sapatos Arezzo em parceria com a artesã indígena Amélia Marubo. Foto: cedida

Mas, mesmo com o crescimento, a essência permanece. “A floresta dá tudo, mas a gente também tem que cuidar. Eu não tiro nada verde. Trabalho só com o que já caiu, com o que seria descartado”, destacou

Histórias como a de Jakson Marubo mostram como o artesanato pode mudar destinos. “Eu comecei participando de feiras e hoje tenho minha própria loja. Vivo do artesanato”, afirmou.

Jakson Marubo e a sua esposa Mirian Marubo na sua loja de artesanato na cidade de Cruzeiro do Sul. Foto: Diego Silva/Secom
Jakson Marubo e a sua esposa Mirian Marubo na sua loja de artesanato na cidade de Cruzeiro do Sul. Foto: Diego Silva/Secom

Ele destaca o papel das capacitações: “O Sebrae ajudou muito com preço, acabamento e venda. Isso fez diferença”, ressaltou.

Quando a oportunidade chega

Para muitos artesãos, o primeiro passo começa dentro do próprio território. Equipes do Sebrae percorrem comunidades, inclusive em regiões de difícil acesso, levando formação e orientação.

O gestor de projetos Aldemar Maciel destaca a importância da formalização: “O que a gente exige é que eles tenham a Carteira do Artesão [documento pode ser solicitado na Casa do Artesão]. A partir disso, eles podem comercializar, participar de feiras e até acessar crédito. É uma ferramenta muito importante”, informou.

Gestor de Projetos do Sebrae, Aldemar Maciel, explica a importância do artesão estar regularizado. Foto: Alice Leão/Secom
Gestor de Projetos do Sebrae, Aldemar Maciel, explica a importância do artesão estar regularizado. Foto: Alice Leão/Secom

O alcance é amplo e contínuo: “Nós temos caravanas que vão até os municípios e aldeias. Já temos 178 artesãos indígenas em processo de cadastramento em uma única região. Isso gera economia e oportunidade”, disse.

Casa do Artesanato Acreano, localizada na Gameleira, em Rio Branco, possui muitas peças de arte indígena para comercialização. Foto: Alice Leão/Secom
Casa do Artesanato Acreano, localizada na Gameleira, em Rio Branco, possui muitas peças de arte indígena para comercialização. Foto: Alice Leão/Secom

Tradição e mercado

Se antes o desafio era produzir, hoje também é vender e vender com valor justo. É nesse ponto que o projeto avança ao conectar diretamente artesãos e compradores.

A coordenadora da Casa do Artesanato Acreano e coordenadora estadual do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), Risoleta Queiroz, reforça o impacto desse apoio. “O artesanato indígena é muito rico. Os turistas chegam e ficam encantados com a diversidade das peças, pulseiras, colares, cestarias. Nas feiras, eles se destacam muito, são muito procurados”, destacou.

Risoleta disse que o artesanato indígena é sucesso de vendas nas feiras de negócios. Foto: Alice Leão/Secom
Risoleta disse que o artesanato indígena é sucesso de vendas nas feiras de negócios. Foto: Alice Leão/Secom

Ela observa que o resultado é concreto. “Quando participam das feiras nacionais, eles voltam com um volume de vendas muito grande. A comercialização tem sido um ponto muito positivo”, disse.

A parceria com o governo garante, ainda, ajuda de custo para participação em eventos, além de investimentos em estrutura e logística, ampliando o alcance desses produtos.

Em 2025, a Casa do Artesanato Acreano, localizada na capital, Rio Branco, movimentou mais de R$ 443,5 mil na comercialização de peças produzidas por 130 artesãos que expõem no local. A unidade é coordenada pela Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete).

Força das mulheres

Nos territórios indígenas, são principalmente as mulheres que mantêm viva essa tradição e transformam o artesanato em sustento.

A secretária de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, destaca essa força. “O artesanato ajuda muito na economia dos territórios. As mulheres dominam essa atividade e conseguem garantir renda para suas famílias.”

Mulheres se destacam na produção do artesanato indígena. Foto: Diego Silva/Secom
Mulheres se destacam na produção do artesanato indígena. Foto: Diego Silva/Secom

Ela relembra que nem sempre foi assim. “Antes, muitas vezes era feito escondido por causa do preconceito. Hoje, está fortalecido, valorizado, sendo mostrado com orgulho.”

Os festivais culturais têm papel fundamental nesse processo. “Ali não é só festa. É língua, cultura, pintura, culinária. E o artesanato é muito bem vendido. Os visitantes se encantam”, finalizou.

Secretária de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, é uma grande entusiasta do artesanato indígena. Foto: Cleiton Lopes/Secom
Secretária de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, é uma grande entusiasta do artesanato indígena. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Mais que produto, um legado

O artesanato indígena acreano segue crescendo, mas sem perder sua essência. Cada peça vendida carrega não apenas valor econômico, mas também cultural, espiritual e ambiental.

Trabalho das peças é feito com mãos. Foto: Diego Silva/Secom
Trabalho das peças é feito com mãos. Foto: Diego Silva/Secom

Entre sementes, fibras e grafismos, o que se constrói é mais do que mercado, é dignidade, reconhecimento e futuro.

E, acima de tudo, é a prova de que, quando tradição e oportunidade caminham juntas, o desenvolvimento pode nascer da floresta e ganhar o mundo.

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