
O primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Dr. João (MDB), fez duras críticas à condução da crise no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na Baixada Cuiabana e defendeu a revisão imediata da demissão de 56 profissionais desligados em março. Durante reunião da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social, realizada nesta quarta-feira (22), o parlamentar questionou mudanças no serviço em um momento de fragilidade da estrutura e cobrou esclarecimentos do governo do Estado.
“Onde tudo está funcionando, chega alguém que inventou a roda e quer mudar tudo. Ninguém é contra o trabalho do Corpo de Bombeiros na saúde. Em Tangará da Serra trabalham 14 médicos, onde sete vão para a rua e outros sete ficam na base. Eles têm experiência de atendimento de emergência. Lá o Bombeiro com o Samu é maravilhoso. Será que o Samu em Cuiabá é um entrave na Baixada Cuiabana? Se tirar o Samu o governo federal vai continuar ajudando?”, questionou Dr. João.
A fala resume a preocupação do deputado com a tentativa de reestruturação do serviço sem que, até agora, tenham sido esclarecidos os impactos diretos para a população. Na reunião, a Comissão deliberou o encaminhamento de cinco pontos relacionados ao Samu, entre eles o pedido para que o governo reveja as demissões dos 56 profissionais, esclareça a desativação de unidades e amplie o debate sobre a cooperação técnica entre a Secretaria de Estado de Saúde (Ses), o Samu e o Corpo de Bombeiros.
Dr. João tem se colocado entre os principais defensores da manutenção da estrutura do serviço, argumentando que o atendimento pré-hospitalar exige equipe treinada, continuidade operacional e planejamento técnico. Para o parlamentar, qualquer mudança precisa ser feita com responsabilidade, sem desorganizar uma rede essencial para salvar vidas.
Outro ponto tratado na comissão foi a necessidade de entender por que cinco unidades do Samu foram desativadas e deixaram de funcionar, agravando ainda mais a situação da cobertura na Baixada Cuiabana. A preocupação dos parlamentares é que a redução das bases e das equipes esteja comprometendo a capacidade de resposta em casos de urgência e emergência.
A crise foi detalhada durante a reunião pela enfermeira do Samu, Patrícia Ferreira, que afirmou que o serviço vem sendo sucateado ao longo dos últimos anos, especialmente em Cuiabá e Várzea Grande. Segundo ela, em julho de 2025 havia 12 unidades em operação, número que caiu para oito em janeiro deste ano.
Patrícia relatou ainda que, após a demissão dos 56 profissionais, a expectativa seria pela renovação de apenas dez contratos, o que tornou inviável a manutenção do atendimento em níveis adequados. Ela também apontou redução de investimentos, diminuição da frota de ambulâncias e aumento da demanda repassada ao Corpo de Bombeiros.
“Em março deste ano, o governo demitiu 56 profissionais e havia uma lista de apenas dez contratados que seriam renovados. Com isso ficou impossível atender a população. Isso sem contar a redução de investimentos no setor. Nesse ínterim houve a redução das ambulâncias do SAMU e, com isso, aumento dos serviços prestados pelo Corpo de Bombeiros”, afirmou.
Na avaliação de Dr. João, o problema precisa ser enfrentado com diálogo institucional e responsabilidade administrativa, sem decisões precipitadas que possam ampliar o colapso do atendimento. O deputado também demonstrou preocupação com a continuidade do apoio federal ao serviço, caso o modelo atual seja alterado sem a devida segurança jurídica e técnica.
A Comissão de Saúde voltará a discutir o tema na próxima terça-feira (28), desta vez com o Ministério da Saúde, quando deve tratar das possíveis renovações dos contratos dos 56 profissionais desligados. A expectativa é que a reunião ajude a esclarecer quais caminhos existem para recompor as equipes e evitar novos prejuízos ao atendimento da população.