
Parlamentar afirma que valor gasto com fretamentos poderia custear milhares de passagens para moradores de municípios isolados
Em pronunciamento na sessão desta terça-feira (14), na Assembleia Legislativa do Estado do Acre, o deputado Emerson Jarude (Novo), criticou os altos gastos do governo estadual com fretamento de aeronaves e defendeu que os recursos sejam direcionados para atender a população que vive em municípios isolados.
Segundo o parlamentar, dados levantados por seu gabinete apontam que apenas com uma empresa de táxi aéreo o governo do estado teria gasto cerca de R$ 69 milhões em contratos de fretamento de aeronaves ao longo dos últimos anos.
De acordo com Jarude, os gastos teriam aumentado de forma progressiva. Em 2019, o valor teria sido de aproximadamente R$ 400 mil. Em 2020, cerca de R$ 1,3 milhão. Já em 2021 o montante teria alcançado R$ 1,6 milhão. Em 2022 os gastos teriam saltado para R$ 5 milhões, chegando a R$ 10 milhões em 2023 e R$ 12 milhões em 2024. Segundo o deputado, em 2025 o valor teria atingido cerca de R$ 37 milhões.
“Somando tudo, foram R$ 69 milhões gastos com jatinhos e fretamentos de aeronaves. Esse recurso daria para comprar cerca de 35 mil passagens aéreas para cidadãos que realmente precisam viajar”, afirmou.
O parlamentar relacionou o tema ao debate recente sobre o alto custo das passagens aéreas para municípios isolados do estado, como Jordão e Santa Rosa do Purus, destacando que muitos moradores dependem do transporte aéreo para acessar atendimento médico e outros serviços essenciais em Rio Branco.
Jarude argumentou que o valor gasto pelo governo com fretamentos seria suficiente, segundo seus cálculos, para custear passagens de ida e volta para toda a população desses dois municípios. “Se somarmos a população de Jordão e Santa Rosa do Purus, temos cerca de 17 mil habitantes. Esse dinheiro daria para trazer toda essa população para Rio Branco e levá-la de volta”, declarou.
Durante o pronunciamento, o deputado também afirmou que a atual gestão estadual tem a oportunidade de rever esse tipo de despesa e redirecionar recursos para políticas públicas voltadas à população que vive nas regiões mais isoladas do Acre.
“É possível fazer uma grande correção social: cortar gastos com jatinhos e investir esse dinheiro em quem realmente precisa”, concluiu.
Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Foto: Sérgio Vale