
Por Victor Hugo dos Santos da Costa
O Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco, abriu nesta quarta-feira, 8, a exposição Cartografia Indígena – Descolonizando Mente e Espaço. Gratuita, a mostra reúne 23 mapas produzidos por agentes agroflorestais indígenas, que retratam os territórios amazônicos sob a perspectiva dos povos originários.
As obras expostas resultam dos cursos de formação promovidos no Centro de Formação dos Povos da Floresta (CFPF), mantido pela Comissão Pró-Indígenas do Acre (CPI-Acre). Nas aulas da disciplina de Cartografia Indígena, a técnica de mapeamento foi adaptada como linguagem própria para os alunos, em diálogo com saberes tradicionais e símbolos locais.

Mais do que peças de expressão artística, os mapas tornaram-se instrumentos estratégicos. Atualmente, são utilizados por diferentes etnias do Acre no planejamento da gestão ambiental, no levantamento de recursos naturais, na delimitação territorial e até na mediação de conflitos fundiários.
A mostra propõe ressignificar o mapa, historicamente utilizado como instrumento de dominação, convertendo-o em ferramenta de afirmação identitária e de defesa de direitos.

“A cartografia indígena tem esse sentido não apenas de luta, mas também de trazer essa expressão artística, cultural e política de valorização desses povos e seus direitos sobre seus territórios”, afirma José Frank de Melo Silva, geógrafo e assessor técnico do Setor de Geoprocessamento da CPI-Acre.
A exposição é realizada pela CPI-Acre, em parceria com a Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC), com apoio do governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM).
A visitação ocorre na Galeria de Exposições Sansão Pereira e permanece aberta ao público, até 31 de maio, à partir das 9h.
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