
Estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Estadual João Kubitschek, em Cruzeiro do Sul, superam barreiras como distância e trabalho para concluir o ensino médio.
A rotina exige esforço diário. Muitos conciliam estudo, emprego e responsabilidades familiares para permanecer em sala de aula.
Aos 50 anos, o estudante José Roberto dos Santos é o primeiro a chegar na escola todos os dias. Cadeirante em decorrência da poliomielite contraída na infância, enfrenta barro e chuva para assistir às aulas. A mesma determinação levou à retomada dos estudos após décadas de interrupção.
“Eu parei nos anos 80 porque meu pai se mudou para a zona rural e não tinha escola lá. Voltei adulto e agora, em 2026, vou concluir o ensino médio. É um sonho realizado”, afirma.
A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) oferece a modalidade, que permite concluir em um ano e meio o que levaria três anos no ensino regular.

A trajetória de José Roberto se repete entre outros alunos da unidade. As salas reúnem histórias marcadas por interrupções e recomeços.
O diarista Francisco Alcimar de Oliveira, 48 anos, deixou a escola ainda jovem por morar no seringal, distante da área urbana. “Meu pai dizia que era para trabalhar. Hoje aproveito a oportunidade e não paro mais. Ficar mais velho sem estudar é difícil. Os jovens precisam aproveitar enquanto podem”, aconselha.

Com trajetória semelhante, Iraci de Oliveira, 52 anos, também retomou os estudos após priorizar a família. Criada no seringal, ajudava a mãe no roçado, casou cedo e teve filhos. Ao longo dos anos, interrompeu os estudos diversas vezes. Agora, planeja concluir o ensino médio e, futuramente, ingressar no ensino superior. “Agora meus filhos estão criados e chegou a minha vez. Quero terminar o médio e tentar uma faculdade. O estudo é importante para dar exemplo aos meus filhos”, afirma.

Para o professor Edy Barbosa, que leciona Inglês, Espanhol e Geografia na mesma escola, essas trajetórias são o combustível da EJA. “Aqui acolhemos quem ficou fora da sala por qualquer motivo – idade, trabalho, distância, vida. Não existe limite de idade para retomar sonhos. Em um ano e meio concluímos o que levaria três anos no ensino regular, e muitos seguem para a faculdade pelo Enem ou instituições particulares”, explica.
O coordenador da EJA em Cruzeiro do Sul, José Adriano Oliveira, reforça o convite: “A EJA abre portas que nunca se fecham. São histórias belíssimas de superação. Quem parou de sonhar pode voltar. Ainda dá tempo de fazer matrícula este ano nas escolas Valério Caldas de Magalhães, João Kubitschek e Meirim Pedreira, no bairro Cruzeirinho”.
Com o mês de março marcando o início das aulas, a turma de José Roberto, Francisco e Iraci já mira o diploma no fim de ano. “É orgulho. E um exemplo para quem tem saúde e oportunidade, mas desiste”, diz José Roberto. “A gente vence todo desafio. Nunca é tarde”, completa.
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