
A articulação entre instituições públicas já começa a produzir resultados concretos na educação infantil em Mato Grosso e foi apresentada como uma “revolução em curso” pelo conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Antônio Joaquim, durante palestra nesta sexta-feira (27), no II Encontro Mato-grossense de Municípios, em Cuiabá.
Presidente da Comissão Permanente de Educação e Cultura do TCE, ele usou a experiência do Grupo de Apoio à Execução das Políticas de Educação (GAEP), que reúne 19 instituições, para demonstrar como a governança colaborativa pode sair do discurso e gerar impacto na vida da população.
O principal resultado dessa atuação foi a redução do déficit de vagas em creches no estado. Em dois anos, a carência caiu de cerca de 14 mil para 10 mil vagas, com projeção de chegar a aproximadamente 6 mil nos próximos anos, a partir de obras em andamento e novos investimentos.
“A gente está falando de uma revolução. Não é exagero”, afirmou, ao destacar que a mudança só foi possível a partir da atuação conjunta entre Tribunal de Contas, Assembleia Legislativa, Governo do Estado e municípios.
Essa integração viabilizou, inclusive, a destinação inédita de mais de R$ 100 milhões para construção e retomada de creches, algo que historicamente não contava com participação direta do Estado.
O conselheiro reforçou que o investimento na primeira infância tem impacto estrutural e de longo prazo, influenciando indicadores como educação, emprego, renda e até segurança pública. Na avaliação dele, deixar crianças fora da creche é perpetuar desigualdades desde a base.
“Investir na primeira infância é mais importante do que qualquer obra física”, pontuou.
A apresentação também teve caráter pedagógico voltado aos gestores presentes, com o objetivo de consolidar a ideia de que problemas complexos não se resolvem de forma isolada. A experiência da educação infantil foi usada como modelo replicável para outras áreas da administração pública.
Na leitura do conselheiro, a governança colaborativa funciona como um esforço conjunto entre instituições que, mesmo com atribuições distintas, atuam de forma coordenada em torno de um objetivo comum.