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Documentário destaca força e resistência de mulheres da Transacreana em Rio Branco

Após um ano de trabalho coletando depoimentos, ouvindo mulheres que residem na estrada Transacreana, acompanhando o cotidiano de cada uma delas e d...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Acre
26/03/2026 às 17h56
Documentário destaca força e resistência de mulheres da Transacreana em Rio Branco
Foto: Reprodução/Secom Acre

Após um ano de trabalho coletando depoimentos, ouvindo mulheres que residem na estrada Transacreana, acompanhando o cotidiano de cada uma delas e desenvolvendo sua tese de pós-doutorado, a professora e ex-reitora do Instituto Federal do Acre (Ifac), Rosana Cavalcante, realizou a primeira exibição do documentário Sementes de Resistência, no auditório do Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco.

O documentário, lançado nesta quinta-feira, 26, tem como objetivo dar visibilidade à força feminina no campo e às histórias de resistência das agricultoras da região. O trabalho envolveu cerca de 400 mulheres do Movimento de Mulheres Camponesas da Transacreana, acompanhando as estratégias utilizadas por elas para a preservação das práticas agrícolas, manutenção de saberes tradicionais e fortalecimento da segurança alimentar tanto nas comunidades rurais quanto na área urbana da capital acreana.

“Achei tudo tão incrível que pensei: não é possível que só eu conheça essas histórias. Foi então que decidi produzir um documentário para que elas mesmas pudessem contá-las ao mundo.” Foto: Ingrid Kelly/Secom
“Achei tudo tão incrível que pensei: não é possível que só eu conheça essas histórias. Foi então que decidi produzir um documentário para que elas mesmas pudessem contá-las ao mundo.” Foto: Ingrid Kelly/Secom

A idealizadora do curta-metragem explicou como surgiu a proposta e como se desenvolveu o projeto. “A ideia inicial era trabalhar com os quintais produtivos dessas mulheres da Transacreana, abordando agro biodiversidade e mudanças climáticas. Quando cheguei lá e comecei a aplicar um questionário estruturado sobre esses temas, elas passaram a contar suas histórias, tendo esse contexto como pano de fundo. Durante seis meses, suspendi o projeto inicial apenas para ouvi-las. Achei tudo tão incrível que pensei: não é possível que só eu conheça essas histórias. Foi então que decidi produzir um documentário para que elas mesmas pudessem contá-las ao mundo. Assim nasceu Sementes de Resistência, como uma homenagem a essas mulheres guerreiras do sudoeste da Amazônia, aqui do Acre, em uma região periurbana, muito próxima da cidade, mas ainda pouco conhecida”, relatou Rosana Cavalcante.

A ex-reitora do Ifac também destacou a emoção de ver as histórias ganhando visibilidade e reconhecimento. “Está lindíssimo. Elas vão se sentir homenageadas no momento em que se reconhecerem na tela, ao verem suas próprias histórias sendo contadas. É emocionante acompanhar esse processo”, finalizou.

A estrada da Transacreana abriga aproximadamente 10 mil pessoas ao longo de seu percurso, reunindo uma rica biodiversidade típica da Amazônia, com espécies que, em alguns casos, existem apenas no Acre. Por esse motivo, a pesquisa de pós-doutorado teve como base os quintais produtivos e o modo de vida das famílias que vivem na região.

“Nosso trabalho na comunidade envolve a produção de goma e farinha, a venda de banana, macaxeira e feijão, além de frutas como laranja e limão. Tudo iisso vem da roça e nos dá muito orgulho”. Foto: Ingrid Kelly/Secom
“Nosso trabalho na comunidade envolve a produção de goma e farinha, a venda de banana, macaxeira e feijão, além de frutas como laranja e limão. Tudo iisso vem da roça e nos dá muito orgulho”. Foto: Ingrid Kelly/Secom

Para Waldirene Oliveira Lima Bastos, 43 anos, produtora rural e presidente da Associação Amazônia Legal, no ramal do Jarinal, ver sua história e a de tantas outras mulheres sendo retratadas em um documentário tem um significado profundo. “Representa muita coisa, porque estão contando a nossa história, o nosso sofrimento e o nosso legado. Todos nós temos algo a aprender e a ensinar. O nosso trabalho na comunidade envolve a produção de goma e farinha, a venda de banana, macaxeira, efeijão, além de frutas como laranja e limão. Tudo isso vem da roça e nos dá muito orgulho”, afirmou.

Em um passado não tão distante, o papel da mulher no meio rural era restrito às atividades domésticas, como: cuidar da casa, dos filhos e da alimentação da família. Com os avanços na luta por igualdade de gênero e o reconhecimento da importância feminina no desenvolvimento econômico, muitas passaram a assumir funções de liderança, gerir associações, cooperativas e seus próprios empreendimentos.

“Antigamente, nós não tínhamos voz. Quando perguntavam nossa profissão, dizíamos que éramos donas de casa. Hoje, somos agricultoras, temos autonomia, temos nosso próprio negócio. Ver nossa história sendo mostrada para tantas pessoas é algo que não tem explicação”. Foto: Ingrid Kelly/Secom
“Antigamente, nós não tínhamos voz. Quando perguntavam nossa profissão, dizíamos que éramos donas de casa. Hoje, somos agricultoras, temos autonomia, temos nosso próprio negócio. Ver nossa história sendo mostrada para tantas pessoas é algo que não tem explicação”. Foto: Ingrid Kelly/Secom

“Antigamente, nós não tínhamos voz. Quando perguntavam nossa profissão, dizíamos que éramos donas de casa. Hoje, somos agricultoras, temos autonomia e o nosso próprio negócio. Ver nossa história sendo mostrada para tantas pessoas é algo que não tem explicação. Muitas das minhas amigas criam gado, trabalham com galinheiro. Eu, por exemplo, tenho o meu próprio negócio. Produzo leite, queijo, trabalho com aves e vendo ovos. De tudo um pouco, consigo colocar alimento na minha mesa. E tudo isso aprendi com meus pais”, destacou Marines Mérces de Barros Silva, 41 anos, produtora rural e pastora.

Após a exibição do documentário, os organizadores realizaram homenagens às mulheres que participaram e contribuíram com o projeto desenvolvido por Rosana Cavalcante. Entre as homenageadas esteve a vice-governadora Mailza Assis, que também participou das gravações e destacou a importância do trabalho desenvolvido pelas mulheres da Transacreana.

“Nosso trabalho é dedicado a essas mulheres – empreendedoras, extrativistas, agricultoras familiares – que sustentam a economia do campo. Vamos buscar meios para fortalecer esse trabalho e garantir renda, dignidade e protagonismo, para que cada mulher seja autora da própria história.” Foto: Neto Lucena/Secom
“Nosso trabalho é dedicado a essas mulheres – empreendedoras, extrativistas, agricultoras familiares – que sustentam a economia do campo. Vamos buscar meios para fortalecer esse trabalho e garantir renda, dignidade e protagonismo, para que cada mulher seja autora da própria história.” Foto: Neto Lucena/Secom

“Nosso trabalho é dedicado a essas mulheres – empreendedoras, extrativistas e agricultoras familiares – que sustentam a economia do campo. Vamos buscar meios de fortalecer essa atuação, garantindo renda, dignidade e protagonismo, para que cada mulher seja autora da própria história”, destacou Mailza Assis.

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