
Durante sessão na Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), na manhã desta terça-feira (4), a deputada Antônia Sales (MDB), relatou situações que classificou como “chocantes” na rede pública de saúde, especialmente no Hospital de Feijó e na assistência a crianças que aguardam leitos de UTI no Estado.
Vice-presidente da Comissão de Saúde, a parlamentar destacou que, na reunião realizada na Casa, presidida pelo deputado Adailton, foram ouvidos relatos dramáticos de moradores de Feijó. “Escutamos relatos extremamente chocantes, de pessoas presenciando horrores com seus familiares”, afirmou.
Entre os casos citados, a deputada mencionou o de uma gestante de gêmeos que precisou ser levada para fora do município para realizar ultrassonografia, sob risco de perder os dois bebês; o de um vereador que morreu aguardando Tratamento Fora de Domicílio (TFD); e o de uma criança cuja morte gerou comoção na cidade.
Também foi relatado o caso de um homem que sofreu um acidente ao ser pisoteado por um boi. Segundo Antônia, o exame feito no hospital de Feijó não identificou fratura. Posteriormente, ao realizar novo exame em Tarauacá, foi constatada vértebra quebrada.
“São coisas que mexem com a gente. A gente se sente impotente. Como deputado estadual, representando o povo, temos que pedir a quem? Ao governo do Estado. Temos que pedir ao secretário que dê mais atenção a esse povo”, declarou.
Reforma prometida há mais de cinco anos
A parlamentar cobrou ainda a conclusão da reforma do Hospital de Feijó, que, segundo ela, aguarda finalização há mais de cinco anos. Antônia relatou que o secretário de Obras, Ítalo Lopes, teria prometido entregar a obra até o dia 9 de abril.
Enquanto isso, descreveu situações que classificou como “inconcebíveis”, como farmácia e laboratório funcionando em banheiros, além de crianças utilizando sanitários destinados a adultos, em ambiente considerado insalubre. “Isso tem que mudar”, enfatizou.
Criança indígena aguarda UTI há dias
Outro ponto que gerou forte indignação no plenário foi o caso de uma criança indígena, de apenas um mês de vida, oriunda da região do Rio Amônia, que está internada no Hospital do Juruá e aguarda, desde o dia 26 de fevereiro, uma vaga na UTI infantil em Rio Branco.
De acordo com a emedebista, a criança precisa de atendimento especializado que não é oferecido na unidade de Cruzeiro do Sul. No entanto, a resposta recebida pela família é que o Estado dispõe de apenas dez leitos de UTI pediátrica. “É inconcebível dez vagas para atender as crianças do Estado inteiro. Imagina se tiver um surto, uma epidemia? Onde essas crianças vão ser tratadas?”, questionou.
Antônia descreveu a angústia da mãe ao ver o filho entubado, inchado e aguardando transferência, alertando para o risco de agravamento do quadro. “É revoltante. A gente fica do lado daquela mãe, vendo o filho definhar dia a dia. Uma criança de um mês já sentindo uma dor que nem um adulto aguenta”.
Cobrança por mais presença da gestão
A deputada concluiu cobrando maior presença da gestão estadual nos municípios do interior, defendendo que os problemas precisam ser acompanhados de perto. “Não podemos ficar omissos diante disso”, finalizou.
Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Foto: Sérgio Vale