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Governo do Acre realiza abertura do ano letivo da Educação de Jovens e Adultos

O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), realizou na noite desta segunda-feira, 23, a abertura do ano letiv...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Acre
24/02/2026 às 14h13
Governo do Acre realiza abertura do ano letivo da Educação de Jovens e Adultos
Foto: Reprodução/Secom Acre

O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), realizou na noite desta segunda-feira, 23, a abertura do ano letivo da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que aconteceu na Escola Bertha Vieira, localizada no bairro São Francisco.

A EJA é uma modalidade fundamental para a educação no Acre. Somente no ano passado, mais de 15 alunos – entre jovens e adultos – foram matriculados em todo o Estado. Na escola Bertha Vieira, até o momento, há cerca de de 200 estudantes matriculados.

Equipe escolar recepciona os estudantes no primeiro dia de aula.Foto: Mardilson Gomes/SEE
Equipe escolar recepciona os estudantes no primeiro dia de aula.Foto: Mardilson Gomes/SEE

De acordo com o professor Jessé Dantas, chefe do Departamento de Educação de Jovens e Adultos (EJA) da SEE, a modalidade de ensino é voltada às pessoas que, por diferentes razões, não concluíram a educação básica no período regular de escolarização. “Por isso, convidamos aqueles que ainda não concluíram seus estudos a conclui-los, disse.

Na EJA, o estudante pode concluir o ensino fundamental em dois anos e o ensino médio em um ano e meio. Para ingressar no fundamental, é necessário ter pelo menos 15 anos completos; para o ensino médio, 18 anos.

Ensino médio pode ser feito em um ano e meio na EJA.Foto: Mardilson Gomes/SEE
Ensino médio pode ser feito em um ano e meio na EJA.Foto: Mardilson Gomes/SEE

Outro benefício para quem estuda na EJA é ter a oportunidade de receber o “pé-de-meia”, um programa do governo federal que estimula os alunos a estudar. Nesse modelo de ensino, especificamente, pode receber o aluno que tem entre 19 e 24 anos de idade.

Professor Jessé Dantas: “convidamos a quem não concluiu os estudos a aderir à Eja”.Foto: Mardilson Gomes/SEE
Professor Jessé Dantas: “convidamos a quem não concluiu os estudos a aderir à Eja”.Foto: Mardilson Gomes/SEE

O professor Jessé Dantas explica que, no ensino médio, além dos componentes da Base Nacional Curricular (BNCC), o estudante também realiza um curso profissionalizante. “Nossos alunos são batalhadores que buscam o sonho de concluir seus estudos e se aperfeiçoar para o mercado de trabalho”, explicou.

“Nossos alunos deixaram de frequentar a escola por uma série de fatores, como trabalho e responsabilidades familiares, mas hoje eles estão se dando uma nova oportunidade de acreditar no poder transformador da educação, e a Eja tem contribuido para essa trajetória ao longo dos anos”, afirmou.

Voltando aos estudos

Muitas histórias são compartilhadas por estudantes da Educação de Jovens e Adultos, entre elas está a estudante Sara dos Santos. Entre elas está a de Sara dos Santos, que retornou aos estudos no ano passado ao se matriculou no sétimo ano do ensino fundamental, nos anos finais. Neste semestre, cursa o 8º ano.

Sara Santos retomou os estudos incentivada pela mãe.Foto: Mardilson Gomes/SEE
Sara Santos retomou os estudos incentivada pela mãe.Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Parei de estudar aos 18 anos, quando casei, isso faz uns cinco anos e agora, depois que me separei e voltei a morar sozinha, minha mãe me incentivou a retomar os estudos, e estou aqui”, declarou.

Na Eja, Sara Santos pretende concluir o ensino médio e cursar Serviço Social. “Eu queria ser professora, mas eu gosto muito de ajudar as pessoas, principalmente crianças e idosos, por isso quero fazer esse curso”, disse ela.

Nunca estudou

Outro caso de sucesso é o da dona Maria Gomes da Silva Nascimento. Aos 61 anos, ela nunca havia frequentado a escola. Ingressou na EJA no último ano, 2025, quando cursou o 1º ano do ensino fundamental, anos iniciais. “Eu não sabia ler nem escrever”, declarou.

Dona Maria Gomes nunca havia entrado em uma sala de aula.Foto: Mardilson Gomes/SEE
Dona Maria Gomes nunca havia entrado em uma sala de aula.Foto: Mardilson Gomes/SEE

Aos poucos, dona Maria Gomes está aprendendo as primeiras palavras. Para quem nasceu e viveu por muitos anos no seringal Massipira, às margens do rio Envira, no Amazonas, isso representa um grande avanço. Durante muitos anos, ela ajudou os pais no corte da borracha, antes de se mudar para a cidade de Feijó.

Quando veio para Rio Branco, há mais de 30 anos, já era casada e tinha seis filhos para criar. “Criei meus filhos vendendo brigadeiro, refresco e banana. Hoje eles estão criados e consegui voltar a estudar, incentivada por uma amiga que me disse que eu poderia estudar nesta escola, a Escola Bertha Vieira”, informou.

Ler a bíblia

Muitos estudantes relatam que frequentam a EJAcom o desejo de aprender a ler a bíblia. É o caso da dona Elisabete Pereira de Souza, que aos 80 anos, nunca havia frequentado a escola. Ela vai às aulas acompanhada da neta, Eliane Rodrigues de Souza, que cursa o 3º ano do ensino médio.

Dona Elisabete com a neta: quer ler a bíblia.Foto: Mardilson Gomes/SEE
Dona Elisabete com a neta: quer ler a bíblia.Foto: Mardilson Gomes/SEE

Dona Elisabete Pereira nasceu às margens do rio Iaco, em Sena Madureira. Criou 10 filhos e, há quase trinta anos, decidiu morar em Rio Branco. Atualemtne, está cursando o 1º ano do ensino fundamental, nos anos iniciais. Ela conta que já consegue escrever algumas palavras, mas ainda enfrenta dificuldades na leitura. “Minha vontade é aprender para ler a bíblia”, afirmou.

Uma mediadora

A história de Mara Aparecida Rodrigues Pontes é ainda mais interessante. Ela conclui os estudos na EJA em 2001, permaneceu alguns anos sem estudar, mas posteriormente, cursou Pedagogia e uma especialização em Educação Inclusiva. Atualmente, trabalha como mediadora na escola Bertha Vieira.

Maria Aparecida atualmente exerce a função de mediadora na escola onde concluiu seus estudos na Eja.Foto: Mardilson Gomes/SEE
Maria Aparecida atualmente exerce a função de mediadora na escola onde concluiu seus estudos na Eja.Foto: Mardilson Gomes/SEE

Ela nasceu no seringal Mucuripe, às margens do rio Muru, em Tarauacá. Aos 14 anos, foi morar na cidade, onde concluiu o ensino fundamental, nos anos iniciais, na escola Rosaura Mourão da Rocha. Casou-se, teve 4 filhos e em 1992 prestou concurso para professora da zona rural, quando já estava concluindo o fundamental, nos anos finais, na Escola Deuzuite Barroso.

“De lá, vim para Rio Branco e me transferi para a Escola Bertha Vieira, foi lá que estudei e concluí o ensino médio pela EJA. Fiquei 16 anos sem estudar, mas me formei em 2021 e agora estou aqui,. gosto muito da escola e de ser mediadora”, explicou.

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