
Um estudo revelou sérios problemas de contaminação por mercúrio em peixes dos rios consumidos pela população de Rondônia, com níveis que excedem as recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Conduzido pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (Ensp/Fiocruz), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Greenpeace, Iepé, Instituto Socioambiental e WWF-Brasil, o estudo abrangeu seis estados e 17 municípios, incluindo capitais amazônicas. Entre março de 2021 e setembro de 2022, amostras de peixes foram coletadas em mercados públicos, feiras livres e diretamente de pescadores.
Os resultados são preocupantes, com 26% dos peixes em Rondônia apresentando altos níveis de mercúrio, excedendo significativamente os limites recomendados. Além disso, a ingestão diária de mercúrio supera em 6 a 27 vezes a dose segura, afetando todas as faixas etárias, com crianças de 2 a 4 anos liderando em risco, consumindo 27 vezes mais mercúrio do que os adultos.
As áreas mais afetadas são Roraima, Rondônia e Acre, onde atividades ilegais de mineração de ouro desempenham um papel crucial na contaminação. A construção de barragens, hidrelétricas e a expansão do agronegócio também contribuem para a contaminação por mercúrio na região amazônica.
Peixes como Dourado, Filhote e Babão são os mais contaminados, enquanto Acará, Bacu e Pirapitinga estão mais seguros para consumo. A Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO/WHO) e a Agência de Vigilância Sanitária brasileira recomendam um teor de 0,5 micrograma por grama de mercúrio para ingestão segura.
Os riscos para a saúde humana são substanciais, com sérias implicações para o sistema nervoso e consequências graves para grávidas e crianças. O mercúrio agora é classificado como a terceira substância mais tóxica para a saúde humana em termos de poluentes ambientais.