
A Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) apresentou, nesta segunda-feira, 9, no auditório do órgão, em Rio Branco, um relatório com o balanço das ações desenvolvidas nos últimos três anos de gestão. Durante o evento, a nova secretária de Agricultura, Temyllis Silva, assumiu oficialmente o cargo e reafirmou o compromisso de dar continuidade ao trabalho conduzido pelo ex-secretário José Luis Tchê.

Ao assumir a pasta, Temyllis destacou a importância da continuidade administrativa, especialmente diante dos desafios impostos pelas condições climáticas e da necessidade de manter políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção rural, com atenção especial aos pequenos produtores.
“O governo optou por alguém que já acompanhava os projetos, convênios e a execução financeira da secretaria, o que garante continuidade e eficiência. Assumo essa missão com humildade e responsabilidade, sucedendo um secretário que sempre teve sensibilidade com os produtores e com as produtoras rurais, principalmente os pequenos”, ressaltou.
O relatório foi apresentado por José Luis Tchê. Na ocasião, ele destacou investimentos superiores a R$ 100 milhões em 2025, destinados à mecanização agrícola, correção de solos e fortalecimento de cadeias produtivas como café, cacau, mel, mandioca e pecuária. As ações, segundo ele, fazem parte da estratégia de transição da agricultura de subsistência para o modelo de agronegócio inclusivo, sustentável e de baixo carbono.

“Nesses três anos, agradeço ao governador Gladson Camelí e à vice-governadora Mailza Assis, além de toda a equipe da secretaria. Desenvolvemos um conjunto expressivo de ações e já discutimos o planejamento da agricultura para o período de 2025 a 2050. Não existe agricultura sem planejamento, e a continuidade desse trabalho é fundamental”, afirmou.
Entre os destaques, estão a aquisição de mudas de café e cacau para entrega ainda este ano e a implantação de uma incubadora de ovos, um dos programas mais antigos da secretaria, com previsão de inauguração em 2026.
De acordo com o documento, o Valor Bruto da Produção (VBP) agrícola apresentou crescimento médio anual de 10% entre 2022 e 2025, impulsionado principalmente pelas culturas do café, da mandioca, do milho e da soja. Para 2026, está prevista a aplicação de R$ 8 milhões na aquisição de mudas de café.
Na área de mecanização rural, mais de 40 mil hectares foram beneficiados, com atendimento direto a mais de 20 mil agricultores. As ações incluem a construção de mais de 2 mil açudes e tanques, além da modernização da frota, das oficinas e da nova sede da mecanização, ampliando o acesso ás regiões historicamente isoladas e fortalecendo a agricultura familiar.

A presidente do Polo de Assentamento Wilson Pinheiro, em Rio Branco, Sheila Andrade, participou do evento e relatou os impactos positivos das políticas públicas na comunidade onde atua há 26 anos.
“Havia muito tempo que não éramos beneficiados pelo Estado. Com a chegada do secretário Tchê, passamos a ser atendidos, especialmente com o programa de açudagem, que melhorou bastante a nossa produção”, afirmou.
A cafeicultura apresentou crescimento expressivo, com aumento da produção de 3.079 toneladas em 2024 para 6.632 toneladas em 2025, alta de 115,4%; produtividade acima da média nacional e VBP de R$ 139,6 milhões no último ano.
Outras cadeias estratégicas também registraram avanços, como o cacau, com foco em manejo sustentável e recuperação de áreas degradadas, além de investimentos previstos entre R$ 8 e R$ 10 milhões em 2026. A cadeia do mel recebeu mais de R$ 2,5 milhões em investimentos, beneficiando cerca de 400 produtores. A agricultura familiar também foi fortalecida com programas destinados ao cultivo de mandioca, à horticultura, à segurança alimentar e à inovação digital.
O relatório aponta ainda avanços na política de renda rural, com a execução de programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o PAA Indígena, o Programa Estadual de Compras Governamentais da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Pecafes) e o Peixe no Prato. As iniciativas garantiram pagamento direto aos produtores e contribuíram para a inclusão social e o fortalecimento da soberania alimentar. A renda per capita rural no Acre cresceu 56,35% entre 2023 e 2025, passando de R$ 1.271 para R$ 1.712 mensais.
Na pecuária, os dados indicam crescimento do rebanho de 4,6 para 5,3 milhões de cabeças, VBP superior a R$ 2 bilhões em 2025, além de avanços na sanidade animal, na modernização produtiva e nos investimentos em sustentabilidade, em energia solar, no melhoramento genético e na produção de baixo carbono.
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