

Duas grandes operações de resgate realizadas no último dia 19 de janeiro reforçaram a integração entre as forças de saúde e de segurança pública e evidenciaram a capacidade de resposta do Estado diante de emergências em áreas de difícil acesso no interior do Acre.

A primeira ocorrência foi registrada na Comunidade Ocidente, às margens do Rio Muru, zona rural do município de Tarauacá, na fazenda de Simeão Aragão Maia. No domingo (18/01/2026), por volta das 17h, uma gestante de quatro meses foi vítima de picada de cobra jararaca, situação que exigiu resposta imediata das equipes diante do risco iminente à vida da paciente e do feto.

Segundo o gerente de enfermagem, Giliard Santos, tanto nos resgates aéreos quanto nos fluviais, a avaliação primária é fundamental para garantir uma assistência segura e eficaz ao paciente.
“A estabilização ainda no local da ocorrência é decisiva para a segurança durante o transporte, assim como a administração da terapia medicamentosa e a avaliação clínica contínua. O contato prévio com a unidade de referência também é essencial para assegurar a continuidade e a qualidade do atendimento”, destacou.
As duas operações de resgate evidenciam a importância dos investimentos do Governo do Estado para garantir que a saúde chegue a todas as regiões do Acre, inclusive às localidades mais isoladas. Para o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal, a realidade geográfica do estado exige planejamento e estrutura adequada.

Devido à gravidade do caso e às dificuldades de acesso à comunidade, o resgate foi realizado no dia seguinte com o apoio de uma aeronave deslocada de Cruzeiro do Sul. A ação garantiu maior rapidez no atendimento e aumentou significativamente as chances de recuperação da gestante, marcando um feito histórico para a região: foi a primeira vez que um paciente foi resgatado por via aérea em uma emergência dessa natureza.

O comandante de aeronaves, Nayck Trindade de Souza, explicou que as operações aéreas na Amazônia Legal apresentam desafios específicos.
“Atuamos em uma região de vasta extensão de floresta, com escassez de referências visuais e limitação de pontos de apoio operacional. Hoje, o Estado conta com apenas três locais de abastecimento de aeronaves: Rio Branco, Feijó e Cruzeiro do Sul”, afirmou.
Ele destacou ainda que as condições climáticas do Acre impactam diretamente as missões.
“Chuvas intensas e períodos de queimadas reduzem significativamente a visibilidade, o que exige ainda mais cautela. A liberação do uso da aeronave ocorre de forma integrada com o SAMU, após avaliação criteriosa da gravidade da ocorrência pelos médicos reguladores”, completou.
A segunda ocorrência foi registrada na Comunidade Continuação, também situada em área de difícil acesso. A equipe foi acionada para atender uma gestante que havia sofrido uma queda há aproximadamente um dia, apresentando sangramento vaginal, ausência de movimentos fetais, febre alta e dor intensa, com suspeita de óbito fetal.
A operação contou com o apoio fundamental do Corpo de Bombeiros, reforçando mais uma vez a parceria consolidada entre as instituições, que garante segurança, eficiência e agilidade nas ações de resgate. Devido à complexidade do acesso e ao estado clínico da paciente, a ocorrência teve duração superior a cinco horas, exigindo esforço conjunto das equipes para assegurar o resgate seguro e a estabilização clínica.

“Essa ocorrência exigiu uma atuação rápida e integrada entre o Corpo de Bombeiros e o SAMU, principalmente pelas dificuldades de acesso à comunidade, que permite deslocamento apenas por via fluvial. Após horas de navegação, conseguimos localizar a paciente, realizar a transferência com segurança e garantir o transporte até o ponto onde a ambulância já aguardava. Mesmo diante de condições climáticas adversas, a equipe manteve o monitoramento contínuo da gestante, assegurando que ela chegasse em segurança à unidade de referência para dar continuidade ao atendimento”, destacou o 1°Tenente BM Rosenildo Pires, subcomandante do 4° BEPCIF.
Após o atendimento pré-hospitalar e a estabilização inicial, a paciente foi encaminhada à Maternidade de Cruzeiro do Sul, onde permaneceu sob cuidados especializados para a realização dos procedimentos necessários e a continuidade do tratamento.
As duas operações reforçam o compromisso das equipes envolvidas, a integração entre as forças de resposta e o foco absoluto na preservação da vida, mesmo diante dos desafios impostos pela geografia, pelo clima e pelas condições de acesso do interior do Acre.
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