
Nesta segunda-feira (2), o dólar comercial rompeu a marca de R$ 6,08, registrando alta de 1,05% por volta das 10h40, em relação ao fechamento anterior. Este é o quinto dia consecutivo de desvalorização do real frente à moeda norte-americana, consolidando um cenário de pressão sobre a economia nacional.
A disparada do dólar reflete um ambiente de desconfiança gerado pela repercussão negativa das recentes propostas do governo, incluindo mudanças no Imposto de Renda e o pacote fiscal. O mercado recebeu com preocupação as falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que não conseguiram apaziguar os temores quanto à sustentabilidade fiscal.
Na sexta-feira (29), declarações do presidente da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, sinalizando a prioridade para medidas de corte de gastos, ajudaram a reduzir momentaneamente a aversão ao risco. No entanto, o adiamento das discussões sobre o IR não foi suficiente para conter a escalada do dólar e a queda no mercado acionário.
O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, também registra quedas consecutivas. Na abertura desta segunda-feira, o índice operava em baixa de 0,63%, a 124.874,63 pontos, tentando se sustentar acima da marca de 125 mil pontos.
Estatais como Petrobras e Vale apresentaram desempenhos mistos. Apesar de um avanço de mais de 1% no preço do barril do petróleo Brent, as ações da Petrobras seguem em terreno negativo: Petrobras ON (PETR3) recuava 0,23%, a R$ 42,52, enquanto Petrobras PN (PETR4) caía 0,02%, a R$ 38,89. Já os papéis da Vale oscilam, acompanhando de maneira tímida a valorização do minério no mercado chinês. Por volta das 10h40, os ativos da mineradora registravam leve queda de 0,01%, cotados a R$ 58,77.
A valorização do minério em Dalian, na China, contrasta com a fraqueza do mercado brasileiro. O aumento na cotação reflete a expectativa de uma retomada na demanda por parte do gigante asiático, que segue ampliando estímulos para sustentar seu crescimento econômico.
A combinação de incertezas internas e um cenário global desafiador tem pressionado os ativos brasileiros. Grandes bancos e empresas do setor varejista também sofrem perdas generalizadas, ampliando o cenário de queda no Ibovespa.
Enquanto isso, investidores aguardam novos desdobramentos políticos e econômicos que possam sinalizar estabilidade, seja com avanços nas medidas de controle de gastos ou por ajustes mais claros nas propostas fiscais. O mercado segue atento aos próximos movimentos do governo e do Congresso Nacional, além de monitorar o impacto da alta do dólar e a volatilidade das commodities no exterior.