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Porto Velho dividida: de um lado a cidade era administrada pelos americanos e do outro, pelos brasileiros

Foi construída uma cerca na rua Divisória, a atual av. Presidente Dutra

Redação
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Porto Velho - RO
29/08/2025 às 13h27
Porto Velho dividida: de um lado a cidade era administrada pelos americanos e do outro, pelos brasileiros
Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho - RO

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) foi a 15ª ferrovia construída no Brasil, tendo as obras executadas entre 1907 e 1912, após outras tentativas de construção. O trecho de 366 quilômetros ligava Porto Velho a Guajará-Mirim, região de fronteira com a Bolívia, com a finalidade principal de ultrapassar os trechos com cachoeiras do rio Madeira, para facilitar o escoamento da borracha boliviana e brasileira, além de outras mercadorias.

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Segundo historiadores, a construção da ferrovia contou com a contratação de 20 mil trabalhadores de 50 nacionalidades diferentes. Durante esse período, a “Ferrovia da Morte”, como ficou conhecida, milhares de operários morreram, em consequência de várias doenças, principalmente malária. O médico e pesquisador Oswaldo Cruz veio para a região fazer o saneamento básico e combater as doenças tropicais.

A construção da EFMM foi conduzida pela empresa americana Mamoré Railway Co, do empresário Percival Faquhar. Por isso, de acordo com o professor e historiador, Aleks Palitot, a presença americana nessa região favoreceu algumas mudanças de hábitos do cotidiano da região e reforçou a forte influência de estrangeiros nesse canto da Amazônia.

De acordo com o Aleks Palitot, a presença americana nessa região favoreceu algumas mudanças de hábitos do cotidiano da região
De acordo com o Aleks Palitot, a presença americana nessa região favoreceu algumas mudanças de hábitos do cotidiano da região
“Essa era uma região fortemente influenciada, onde se falava inglês. Só para se ter noção, os jornais eram em inglês. Claro que tinham outras línguas, como a espanhola, portuguesa e muitas outras, mas o fluente era o inglês por conta da presença dos engenheiros americanos", disse o historiador.

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A CERCA

Preocupados com a presença dos brasileiros, os empresários norte-americanos fizeram uma divisão territorial para monitorar o funcionamento e, ao mesmo tempo, a segurança do complexo ferroviário.

Foi então construída uma grande cerca, no que seria hoje a avenida Presidente Dutra. Por conta disso, durante muito tempo a via foi chamada de rua Divisória. Assim, o lado da EFMM era administrado pelos americanos e o outro, pelos brasileiros.

“Então havia uma cidade do lado americano extremamente moderna com energia elétrica, lavanderia industrial, clubes, cinema, indústria, farmácia, hospital, telefone, telégrafo sem fio. Do outro lado da cerca, uma cidade pobre, pequena e que se forjava a partir de pessoas que saíram de Santo Antônio e também de outros seringais, na esperança de trabalharem na região da ferrovia”, disse Aleks Palitot.

Mercado Cultural (anteriormente Mercado Municipal), foi construído em 1913 e inaugurado em 1950
Mercado Cultural (anteriormente Mercado Municipal), foi construído em 1913 e inaugurado em 1950

Segundo o livro Estudos Históricos Amazônicos, do historiador e doutor em história da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Dante Fonseca, a cerca da linha divisória era localizada, na Avenida Presidente Dutra, na região da Praça Marechal Rondon, até o Pequeno Deroche, o poliesportivo na avenida Pinheiro Machado.

O lado brasileiro foi administrado a partir de 24 de janeiro de 1915, com a posse do primeiro prefeito, Fernando Guapindaia de Souza Brejense (Major Guapindaia), na época denominado superintendente. Guapindaia veio com a incumbência de governar Porto Velho, que era município do Amazonas, com o objetivo de desenvolver o lado da divisão que era mais carente de atenção do poder público.

Mesmo com as dificuldades enfrentadas durante a gestão, principalmente com os administradores da ferrovia, segundo historiadores, Major Guapidaia conseguiu dar início à estrutura urbana abrindo ruas, ordenando o alinhamento das casas, construção do Mercado Municipal, construção do Cemitério dos Inocentes, construção da cadeia pública, construções de pontes e ainda instalações e funcionamento da primeira escola pública a Escola Mista Municipal.

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré completa 111 anos no dia 2 de outubro. Vale salientar que só passou a ser considerada oficialmente brasileira em 10 de julho de 1931, com a nacionalização da ferrovia. O governo assume a administração e nomeia Aluízio Pinheiro Ferreira como diretor-geral. Antes disso, a ferrovia era Americana.

Texto:André Oliveira
Foto:Leandro Morais/ José Carlos

Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)

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