Dando continuidade à campanha Agosto Lilás, cujo objetivo é ampliar a conscientização e o enfrentamento aos casos de violência contra a mulher, a Prefeitura de Porto Velho, com objetivo de garantir mais proteção ao público feminino, faz um alerta quanto ao chamado ciclo da violência.
A assistente social do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), Danusa Pacheco, explica que o ciclo começa com o momento de tensão, evolui para a violência e depois para a chamada ‘lua de mel’, que não tem nada a ver com romantismo.
“A tensão está relacionada às questões emocionais da mulher, como xingamentos, cobranças e críticas por parte do marido. A fragilidade da mulher pode gerar tensão e diminuir a autoestima dela. Após a tensão, geralmente, ocorre a violência física. Nesse caso, a mulher se torna mais emotiva e vulnerável. Muitas vezes o homem se aproveita desse momento para cometer agressões físicas, psicológicas e, até mesmo, as sexuais”, acrescentou.
Depois de chegar ao ponto de agredir a companheira de várias formas, é comum que o homem se desculpe e até promete que vai mudar, fazendo com que a mulher acredite e reate o relacionamento. Esse é o ciclo ‘lua de mel’. No entanto, a tendência é que esse ciclo venha a se repetir e de uma forma ainda mais agressiva.
Nesse caso, a mulher pode buscar os serviços do Cram de forma espontânea ou por encaminhamento. A equipe multiprofissional dará as orientações e os encaminhamentos necessários. Se ela for encaminhada pela Delegacia da Mulher ou pela Defensoria Pública, por exemplo, o Cram fará o acolhimento, a escuta e os encaminhamentos adequados, dependendo de cada situação.
IMPACTOS E DENÚNCIAS
Uma vez que a mulher se torna vítima de violência, ela pode apresentar quadros de depressão, ansiedade, crises de pânico, estresse pós-traumático, abuso de álcool e outras drogas. “Essas condições podem, inclusive, contribuir para o desenvolvimento de outras doenças na vítima”, alerta Danusa Pacheco.
Para interromper o ciclo de violência doméstica, é fundamental que a mulher, ao reconhecer-se como vítima, busque apoio em instituições especializadas o mais rápido possível.
CANAIS
A denúncia pode ser feita à Polícia Militar pelo 190, na Delegacia da Mulher, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça, disk 180 e disk 100. Além disso, a Rede Lilás, composta por diversas instituições, fornece todo apoio necessário à mulher.
APOIO DA FAMÍLIA
“Em caso de agressão física, por exemplo, é importante que a mulher registre o boletim de ocorrência na delegacia e procure o Instituto Médico Legal (IML) para que as medidas cabíveis sejam tomadas e o agressor responsabilizado pela violência cometida", orienta a assistente social.
PREVENÇÃO
Em suas ações preventivas, o Cram realiza palestras socioeducativas em escolas para informar sobre a existência dos serviços e para que os alunos possam identificar os sinais de violência e buscar os recursos necessários. Além disso, tratam da prevenção de relacionamentos abusivos e os sinais de alerta a serem observados para evitar futuras situações de violência.
“Não há uma fórmula única para identificar comportamentos abusivos. Homens que inicialmente se mostram gentis e tranquilos podem desenvolver comportamentos possessivos e violentos após o início da convivência. Sinais de alerta incluem o isolamento da mulher de sua rede de apoio, ciúmes excessivos, possessividade e o uso abusivo de álcool ou outras substâncias”, afirmou a profissional.
A orientação principal é que as mulheres estejam atentas aos sinais de violência doméstica e, ao identificar um relacionamento abusivo, busquem imediatamente o apoio das unidades especializadas.
As palestras socioeducativas realizadas pela equipe do Cram tem como objetivo a prevenção, informar às crianças e adolescentes sobre a Lei 11.340 e as consequências da violência doméstica. “É essencial que meninos e meninas compreendam a importância de relacionamentos saudáveis, sejam eles entre cônjuges ou pais e filhos”, reforçou.
CONTATO
O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) está localizado na rua Geraldo Ferreira, nº 135, bairro Agenor de Carvalho, no antigo Lar do Bebe. O telefone do Plantão Social 24 horas é o (69) 98473-5966.
Texto:Augusto Soares
Fotos:José Carlos/ Leandro Morais/ Augusto Soares
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)