
De acordo com um estudo conduzido por médicos da renomada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a prática comum de deixar a TV ligada ou ouvir ruídos brancos durante o sono pode estar comprometendo a saúde cardíaca das pessoas.
Publicada em dezembro de 2023 na revista Environmental Health Perspectives, a pesquisa apontou uma associação entre a exposição a ruídos constantes durante a noite e problemas cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Charlie Roscoe, especialista em saúde pública e principal autora do estudo, explica que mesmo que as pessoas não estejam conscientes do barulho ou não acordem durante a noite, seus corpos ainda reagem ao estresse causado pelo ruído. Essa resposta ao estresse pode resultar em atividade cerebral aumentada, contribuindo ao longo do tempo para problemas como resistência à insulina, diabetes e complicações cardiovasculares.
A pesquisa, realizada ao longo de 30 anos com 114 mil participantes, utilizou o Nurses’ Health Study, uma base de dados que analisa informações de enfermeiras para avaliar a saúde feminina.
As voluntárias foram divididas em cinco grupos, variando de acordo com a quantidade de barulho noturno a que eram expostas, com níveis medidos em decibéis. Para cada aumento de 3,6 decibéis no ruído noturno, o estudo revelou um aumento de 4% no risco de doenças cardiovasculares.
Mesmo em situações em que as pessoas afirmam não perceber o barulho, ele ainda é potencialmente prejudicial à saúde, destacou Charlie. Durante a análise, foram registrados 5,3 mil casos de doença coronariana e 5 mil casos de AVC entre os participantes.
Embora os médicos não possam quantificar precisamente quantos desses casos foram diretamente afetados pelo barulho noturno, o estudo estabelece uma clara relação entre a poluição sonora noturna e esses problemas de saúde.
Diante dessas descobertas, os cientistas recomendam a adoção de medidas para reduzir o excesso de ruído durante o sono, como fechar portas e janelas, utilizar anuladores de som, como protetores de ouvido ou isolantes no quarto, e evitar ventiladores barulhentos.