
Em um panorama marcado pela revolução digital, os dados mais recentes divulgados pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) revelam uma queda exponencial no uso de cheques no Brasil, impulsionada pelo crescimento vertiginoso do Pix. Desde o início da série histórica em 1995, o uso de cheques desabou 95%, evidenciando uma mudança irreversível nos hábitos financeiros.
No ano de estreia da série, 3,3 bilhões de cheques foram compensados, movimentando expressivos R$ 2 trilhões. Contrastando com esses números, 2023 registrou apenas 168,7 milhões de cheques compensados, representando uma queda de 95%. O volume financeiro associado a cheques diminuiu significativamente, atingindo R$ 610,2 bilhões.
O advento do Pix, lançado em 2020, é apontado como o grande catalisador dessa transformação. A pandemia, ao impulsionar o uso de canais digitais, contribuiu para que quase oito em cada dez transações bancárias fossem realizadas de forma eletrônica, consolidando o Pix como o principal meio de pagamento no país.
O diretor-adjunto de Serviços da Febraban, Walter Faria, destaca que, embora a preferência pelo Pix seja óbvia, os cheques ainda sobrevivem, principalmente devido aos hábitos arraigados de pessoas mais velhas e à cultura de utilizar cheques em transações de alto valor, como aquisição de carros ou imóveis.
A tabela baseada em dados do Serviço de Compensação de Cheques (Compe) revela a trajetória declinante, mostrando que, em 2023, 13,6 milhões de cheques sem fundos foram devolvidos. O ticket médio, por outro lado, tem aumentado, indicando o uso persistente de cheques em transações de alto valor, alcançando R$ 3.617,60 em 2023.
Enquanto a queda no uso de cheques é inegável, os bancos ainda não têm uma previsão sobre a descontinuação total dessa modalidade. O desafio reside em conciliar a modernidade imposta pelos meios eletrônicos com a preservação de práticas tradicionais, marcando assim uma fase de transição no cenário financeiro brasileiro. O cheque, outrora protagonista, agora enfrenta sua mais profunda transformação em meio à revolução digital.