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Desigualdades sociais refletem na taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares no Brasil, diz estudo

Estudo da UFRJ revela disparidades na redução de mortes por infarto e AVC entre regiões ricas e pobres

Por:
18/01/2024 às 11h50
Desigualdades sociais refletem na taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares no Brasil, diz estudo
Reprodução - Getty Images

Um estudo conduzido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou que, nos últimos 20 anos, a taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares no Brasil apresenta disparidades significativas entre regiões com diferentes níveis de desenvolvimento humano.

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Enquanto áreas mais favorecidas experimentaram uma queda acentuada, as regiões menos privilegiadas testemunharam uma redução mais modesta, e em alguns casos, até mesmo um aumento no número de óbitos.

Ao analisar dados de mortalidade por infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC), os pesquisadores cruzaram informações de óbitos com índices sociodemográficos e de vulnerabilidade social.

Distrito Federal e região Sul, com melhores indicadores sociais, registraram uma redução de aproximadamente 50% nas mortes, contrastando com estados como Bahia e Sergipe, onde a queda foi de apenas 7%. Algumas localidades, como Acre, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão, chegaram a apresentar piora nos números.

A melhoria global nos indicadores de vulnerabilidade social no Brasil contribuiu para uma redução média de 21% na mortalidade por infarto e cerca de 37% por AVC. Os pesquisadores destacam que o acesso a serviços de saúde, estratégias de prevenção e educação desempenham papéis cruciais nesse cenário.

O cardiologista José Lucas Bichara ressalta que "essas doenças podem ser prevenidas com medidas efetivas e de baixo custo", enfatizando a importância da educação na promoção da saúde.

A disparidade também se reflete na educação, com níveis mais altos de escolaridade associados a um melhor autocuidado e maior aderência ao tratamento.

A cardiologista Juliana Aparecida Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que "nas regiões com índices socioeconômicos mais elevados, há maior disponibilidade e acesso a serviços de saúde e tratamento das doenças, propiciando melhor manejo de condições crônicas de saúde".

Um estudo nos Estados Unidos reforça essa conexão entre renda e fatores de risco cardiovascular, evidenciando que a precariedade dificulta o acesso à alimentação saudável e mudanças no estilo de vida.

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil, e as desigualdades sociais têm um impacto significativo no panorama da saúde das populações, influenciando desde o acesso à saúde até o diagnóstico precoce. A necessidade de medidas de promoção e prevenção de saúde para reduzir as iniquidades é crucial para enfrentar esse desafio de saúde pública.

Com informações: UFRJ e Agência Einstein

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