
No último dia 8, o dicloridrato de pramipexol, utilizado no tratamento da Doença de Parkinson, conquistou o status de referência nacional, conforme anunciado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Produzido pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos, Farmanguinhos, o medicamento está autorizado nas concentrações de 0,12 mg, 0,250 mg e 1,0 mg.
Essa designação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) destaca a qualidade, eficácia e segurança do medicamento, proporcionando tranquilidade aos profissionais de saúde e pacientes que dependem dele pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme afirmou Juliana Johansson, chefe do departamento de Gestão de Desenvolvimento Tecnológico da Farmanguinhos/Fiocruz.

A medida se tornou necessária devido à indisponibilidade no mercado brasileiro do medicamento anteriormente referenciado, o Sifrol, após o pedido de cancelamento feito pela Boehringer Ingelheim, a empresa farmacêutica responsável. Para garantir a autonomia nacional na produção, a Fiocruz estabeleceu uma parceria com a empresa alemã, enfatizando a relevância dessa colaboração para a produção de medicamentos no Brasil.
A Fiocruz, em sua busca pela produção em escala industrial, envolveu diferentes setores, como o Laboratório de Tecnologia Farmacêutica, Desenvolvimento de Embalagens, Assistência de Gestão em Projetos de Absorção e Transferência de Tecnologias, além das áreas de Controle da Qualidade, Produção e Serviço de Boas Práticas de Fabricação.
Com mais de 200 mil pessoas estimadas convivendo com a Doença de Parkinson no Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o dicloridrato de pramipexol oferece benefícios essenciais ao estabilizar a condição e proporcionar melhor qualidade de vida. A enfermidade, a segunda neurodegenerativa mais comum no mundo, traz sintomas como tremores, lentidão de movimentos, rigidez muscular e alterações na fala e escrita.
A Doença de Parkinson é uma condição degenerativa crônica e progressiva do sistema nervoso central, afetando mais frequentemente pessoas com mais de 50 anos. A redução ou ausência de dopamina, substância vital para o sistema nervoso central, é a principal causa dos sintomas.
Diante dos desafios enfrentados por aqueles que vivem com a doença, a Fiocruz ressalta a importância do suporte farmacológico contínuo como elemento crucial para gerenciar sintomas e retardar a progressão da enfermidade, conferindo maior longevidade aos pacientes.
O medicamento de referência, agora atribuído ao dicloridrato de pramipexol, destaca-se como um padrão de eficácia terapêutica, segurança e qualidade para o registro de medicamentos genéricos e similares, segundo a Anvisa. Com esse avanço, o Brasil reforça sua capacidade de produção nacional e amplia o acesso ao tratamento de uma das condições neurológicas mais impactantes.